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Sede excessiva pode ser sinal de doenças e merece atenção

14 junho 2021 - 12h56Por Id Med

É muito importante entender a diferença entre sede normal e sede excessiva. Sede é uma sensação de defesa em resposta a determinados estímulos originados dentro do próprio organismo e não do meio ambiente. Os estímulos que desencadeiam essa sensação são detectados por receptores existentes no nosso organismo, gerando a atitude do indivíduo de adquirir algo para beber.

Os sintomas da sede podem ser divididos entre falsa sede, quando essa é eliminada umedecendo-se a mucosa da boca, e verdadeira sede, quando esse procedimento alivia, mas não cessa os sintomas, sendo necessária a ingestão líquida. A não ser que haja algum impedimento físico (paciente em coma, por exemplo), havendo necessidade de ingerir um líquido, o ser humano parte à procura do mesmo, mantendo o organismo em equilíbrio.

Quando a sede normal surge?

Quando há perda de água pelo suor, principalmente em dias quentes, ou em casos de diarreia ou vômitos, em que há uma perda maior de líquido e, com isso, há um estímulo maior para recuperá-lo. Através da sede e posterior ingestão de água, o equilíbrio do organismo retorna. Quando a pessoa se alimenta com uma refeição muito rica em sal, isso também acontece. Existem alguns medicamentos, como os diuréticos, que fazem com que haja um aumento da diurese (ato de urinar) e isso pode aumentar o estímulo da sede.

O que é a sede excessiva e quando ela aparece?

A sede excessiva ou polidipsia é um termo médico que indica uma sensação de sede em demasia. Esse sintoma é comum entre os pacientes diabéticos e geralmente é acompanhado por outros sintomas, como: poliúria (aumento da diurese – urina mais) e polifagia (comer mais). No caso do diabetes melito, a polidipsia decorre da perda de água pela urina acompanhando a eliminação urinária de glicose (glicosúria) em excesso no plasma (aí acumulada em decorrência da doença). Quando o açúcar sobe no sangue e falta insulina, ele passa para a urina. Uma pessoa normal não tem açúcar na urina porque isso só acontece se a concentração na corrente sanguínea estiver acima de 180mg/dl, número bastante alto e indicativo de que o diabetes está instalado. Mais baixo do que isso, a glicose entra no rim e volta para o organismo. Então, quem não tem diabetes, se medir a glicose na urina, o resultado deve ser negativo.

Quando os rins não conseguem reabsorver o açúcar porque seu nível está muito alto no sangue, ele é eliminado pela urina, que aumenta de volume. Sede excessiva; muita vontade de urinar – inclusive à noite; fraqueza; cansaço; perda súbita de peso; aumento do apetite. Esses são sintomas do diabetes. Quem apresentar esses sinais deve investigar e fazer um exame de sangue o mais rápido possível.

A polidipsia pode surgir também em outra doença chamada diabetes insípido. O diabetes insípido é uma doença rara caracterizada pela alteração da secreção ou ação do hormônio antidiurético, levando à dificuldade na concentração de urina. O hormônio antidiurético ou vasopressina é a principal substância responsável pela regulação da água corporal. Estima-se que, em condições normais, diariamente, o hormônio antidiurético seja responsável pela reabsorção de cerca de 18 litros de água corporal que chegam aos túbulos renais, o que leva à formação de cerca de um litro de urina.

Por que a sede excessiva ocorre?

Essa doença pode ser em decorrência de um problema na glândula hipofisária (diabetes insípido central), levando a uma maior produção do ADH, ou em decorrência de alguns problemas renais hereditários ou adquiridos (diabetes insípido nefrogênico), que levam a uma menor ação do ADH.

Existe ainda uma outra causa de polidipsia, mas decorrente de um distúrbio psiquiátrico. Condição chamada "polidipsia primária" ou "potomania", que leva à ingestão compulsiva de grande quantidade de água, depois eliminada pelo rim, mesmo sem razão real para ter sede. Na gestação pode haver polidipsia por uma maior degradação do hormônio ADH, sendo uma alteração fisiológica e transitória.

Há tratamento?

O diagnóstico preciso da causa da polidipsia é importante para determinação do tratamento adequado. O tratamento do diabetes insípido pode ser feito, inicialmente, com o aumento da ingestão de água, principalmente nos casos de alteração parcial. Nos casos mais graves, a poliúria e a polidipsia intensas podem interferir na vida social, nas atividades diurnas e até no sono do paciente, sendo necessária a instituição da terapêutica com medicação. No caso do diabetes melito, o tratamento envolve mudança do estilo de vida e medicações específicas.

Dra. Monica Cabral é ph.D. em Endocrinologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia. CRM 52 58.000-7

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