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Ministro Sérgio Moro pede demissão após troca de comando na Polícia Federal

24 abril 2020 - 10h50

O ministro da Justiça, Sergio Moro, entregou o cargo na manhã desta sexta-feira (24), após a publicação no Diário Oficial da União (DOU) que confirma a exoneração do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo. A informação é dos assessores próximos ao ex-juiz da Lava Jato, segundo reportagem do jornal Folha de São Paulo.

Moro já tinha avisado a Bolsonaro que não permaneceria no governo com a exoneração de Maurício Valeixo, indicado para o comando da Polícia Federal.  O até então ministro da Justiça e Segurança Pública pediu demissão na madrugada desta quinta-feira (23), aponta a reportagem. 

A informação foi confirmada pelo próprio Ministro durante coletiva de imprensa realizada nesta manhã. 

Em pronunciamento à imprensa, Sergio Moro apontou mais um crime de responsabilidade de Jair Bolsonaro, fortalecendo a abertura do caminho para seu impeachment. Segundo Moro, Bolsonaro quis trocar o comando da Polícia Federal para obter informações de investigações ligadas à sua família.

O presidente me relatou que queria ter uma indicação pessoal dele para ter informações pessoais. E isso não é função da PF”, denunciou Moro. “Isso não é função do presidente, ficar se comunicando com Brasília para obter informações pessoais. Esse é um valor fundamental que temos que preservar dentro de um Estado democrático de direito”, declarou, citando novamente o nome da ex-presidente Dilma Rousseff, sobre quem já havia reconhecido ter dado autonomia à PF durante o período da Lava Jato.

Antes, Moro explicou que não era verdadeira a versão de que Maurício Valeixo, demitido da diretoria da PF, teria pedido para sair. “Há informações de que o Valeixo gostaria de sair, mas isso não é totalmente verdadeiro. O ápice da carreira de qualquer delegado é o comando da Polícia Federal. Depois de tantas pressões para que ele saísse, ele até manifestou que seria melhor sair”, detalhou.

Temos que garantir a autonomia da Polícia Federal contra interferências políticas”, declarou. “Ele havia me garantido autonomia”. Moro disse ainda que “poderia ser alterado o diretor da Polícia Federal desde que houvesse uma causa consistente. Então realmente é algo que eu não posso concordar”. “Vou começar a empacotar minhas coisas e dar sequência à minha carta de demissão”, concluiu, sendo fortemente aplaudido pelos jornalistas.

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